não aponte o dedo
não aponte o dedo para me dizer quem sou sem perceber você, como se fosse amor. o inexplorado julgamento de um texto não se faz pronto, concebido de graça, de vida..
sei bem, é preciso embebedá-lo do lícor dos dias em que você some. o que me desprega..
pena ter que ser assim, a distância que nos humilha, o pensamento da luz do sol. a dor sem fim..
não precisa, não é. é constrangimento de dia ruim. é doença que não cura com afastamento. doença chamada mimo e dengo. coisa de criança, eu sei. mas é o que me faz contar as horas..
pois um dia eu lhe dou um relógio..
um relógio não basta para o dia em que o tempo encontra tempo. a única chama que me estala as geleiras das pontadas das costas é a da madeira do fósforo. mais rígida que a fugacidade dos pensamentos..
o você o eu. o marmanjo de flores que tem medo dos ferrões da vida..
o marmanjo é um marujo velho, um louco cansado de sua própria loucura..
autopiedoso..
e por que não ser? se eu não advogo, quem irá? quem irá dizer que já vivi muitos ferrões da vida e a soma de todos eles apenas me levou a crer a viver apenas com os ferrões da abelha rainha..
abelha rainha é a sua mãe..
então você é mel. mel e ferroada é você. você e todos os contratempos de ritmo de vida dos que sonham..
não aponte o dedo..
pois não aponte você..
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- Published:
- Novembro 25, 2007 / 7:00 pm
- Category:
- anotações
- Tags:
- julgar, tecnologias de diálogo
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