não aponte o dedo

não aponte o dedo para me dizer quem sou sem perceber você, como se fosse amor. o inexplorado julgamento de um texto não se faz pronto, concebido de graça, de vida..

sei bem, é preciso embebedá-lo do lícor dos dias em que você some. o que me desprega..

pena ter que ser assim, a distância que nos humilha, o pensamento da luz do sol. a dor sem fim..

não precisa, não é. é constrangimento de dia ruim. é doença que não cura com afastamento. doença chamada mimo e dengo. coisa de criança, eu sei. mas é o que me faz contar as horas..

pois um dia eu lhe dou um relógio..

um relógio não basta para o dia em que o tempo encontra tempo. a única chama que me estala as geleiras das pontadas das costas é a da madeira do fósforo. mais rígida que a fugacidade dos pensamentos..

o você o eu. o marmanjo de flores que tem medo dos ferrões da vida..

o marmanjo é um marujo velho, um louco cansado de sua própria loucura..

autopiedoso..

e por que não ser? se eu não advogo, quem irá? quem irá dizer que já vivi muitos ferrões da vida e a soma de todos eles apenas me levou a crer a viver apenas com os ferrões da abelha rainha..

abelha rainha é a sua mãe..

então você é mel. mel e ferroada é você. você e todos os contratempos de ritmo de vida dos que sonham..

não aponte o dedo..

pois não aponte você..


About this entry